sexta-feira, 25 de maio de 2012

Cuba - abril de 2012 - parte 2 - Havana








Essa é uma das minhas fotos preferidas, porque mostra a realidade...

Ao mesmo tempo que vemos prédios lindos e bem conservados, como na Plaza Vieja (abaixo)...



também vemos prédios praticamente desmoronando


acho que em termos de arquitetura, Havana desbanca fácil qualquer outra cidade da América Latina, mas é triste ver que a cidade não foi conservada.

Há pobreza, sim. Mas miséria, não. Acho que não existem moradores de rua, como no Brasil, pelo menos nós não vimos. 

Mas há sim desigualdade de classes. É claro que em 5 dias não dá para entender como uma sociedade tão sui generis é estruturada...

Queria conversar com o máximo de moradores locais para entender como realmente são as coisas em Havana, mas acabei conseguindo conversar mesmo apenas com 3. 
Uma jovem cubana, de uns 25-30 anos, que contou que era fisioterapeuta e ganhava 28 CUCs por mês e tinha 2 filhos para sustentar.
Um senhor de 67 anos, que trabalhava em alguma coisa relacionada à radiodifusão, para o governo.
E um homem de uns 30-35 anos que era guia no Museu do Rum, do Havana Club.
Primeiro detalhe marcante é que todos começam a falar da mesma maneira: "yo soy fidelista, mas..." Ficamos na dúvida se eles realmente são fidelistas com suas ressalvas, ou se começam o discurso assim para evitar qualquer problema com o governo.
Outra coisa que me surpreendeu é que a imprensa, pelo menos aqui no Brasil, sempre mostrou que com a saída do Fidel e a entrada do Raul no comando, o governo cubano tinha passado a ser mais flexível. Eles me contaram que foi bem o contrário. 
Que o Raul tem "mãos de ferro" e quer dizer exatamente o que o povo tem que fazer. Que se as políticas sociais melhoraram é porque o partido pressionou muito. E que eles gostavam do Fidel porque, apesar de tudo, ele é uma figura imponente, o mundo todo sabe quem é Fidel Castro. E não só isso, mas a própria figura física dele, um homem de mais de 1,90m e com enorme carisma, se destacava em reuniões internacionais, o povo cubano se sentia representado por ele. E com Raul isso não acontece.
Eles conhecem um pouco da política do Brasil, sabem quem é o Lula, quem é a Dilma, perguntam e querem entender mais da nossa realidade também.
O que me chocou um pouco foi quando o guia do museu do rum me perguntou se no Brasil tudo também pertencia ao governo. Eu havia perguntado se todos os hotéis lá eram do governo e ele ter dito que a maioria, ou então uma rede estrangeira, como a Meliá espanhola, construía e podia explorar conjuntamente com o governo por 10 anos e depois o empreendimento passava para o governo.





Capitólio, igual ao de Washington D.C. 



Gran Teatro Havana


Essa foto para mim representa uma metáfora do que é Cuba hoje: um pequeno país, isolado do mundo, olhando o que acontece ao redor e com receio do próprio futuro.








Museu de Artes Universais





meu autêntico chapéu Panamá, comprado no Panamá, mas fabricado no Equador (isso mesmo, porque os autênticos chapéus panamá são equatorianos)





A esquina do daiquiri, o drink mais refrescante. 


A Bodeguita del Medio (foto lá em cima) e El Floridita são os dois bares mais populares de Havana. Ficaram famosos por causa da frase de Ernest Hemingway: "mi mojitos en la Bodeguita, mi daiquiri en El Floridita".
A Bodeguita del Medio foi um pouco decepcionante: o lugar, em especial o bar, é minúsculo. Na parte de trás tem o restaurante, a comida é muito boas e os preços bem razoáveis (para turistas). 
A Floridita é um verdadeiro portal! Fui lá com minha amiga no primeiro dia em que estávamos em Havana. Era de tarde, umas 15 ou 16h, e como estávamos passando em frente, decidimos chegar e já dar um check num dos locais em que tínhamos-que-ir. Passando pela porta, vc se sente transportado. Hahahahaha. Primeiro que está escuro e com muito cheiro de tabaco, porque lá pode fumar. E fumar charuto. E tem música e todo mundo está bebendo como se fosse alta madrugada...hahahaha Pedimos daiquiris, claro! É simplesmente a melhor coisa que já bebi na vida! É feito com rum, suco de limão, marasquino (licor de cereja) e gelo, tudo batido no liquidificador. O diferencial do daiquiri da Floridita para os outros que tomamos em Cuba é que lá eles fazem com o Havana Club três anos, o dourado. 





o por-do-sol no Malecón, o lazer mais democrático de Havana.





Não podia faltar um carro antigo e muito bem conservado! Apesar da placa de táxi, esses carros mais bonitos fazem passeios de uma hora e cobram entre 40-60 CUCs (o que eu achei bem caro)


(...continua)

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